agosto 23 2006
Comunique-se: “Computadores no lugar de jornalistas?”
Qualquer jornalista, seja ele formado há alguns anos ou recém-saído da universidade - como é o meu caso -, se depararia com uma notícia dessa e já viria com armas preparadas para detonar o infeliz que fez tal indagação. “É claro que computadores nunca irão substituir jornalistas!”, diria o mais desesperado.
Mas lendo a notícia e posteriormente os comentários feito pelos leitores do Comunique-se, importante portal de notícias do mercado de comunicação, concordo que poderia aceitar este questionamento. O sistema de uma agência de notícias norte-americana focada em notícias econômicas utiliza uma base de dados e monta a matéria baseado em formatações pré-definidas, só colocando as informações-chaves.
Parece ridículo ou impossível, mas pense pequenas matérias sobre cotação monetária, valorização das ações de determinada empresa ou índices de uma bolsa de valores. É tudo igual. Creio hoje que os próprios jornais, nas páginas que trazem números e índices econômicos, já utilizam sistemas simples de funções que montam a página automaticamente.
Ou seja, com a efetivação disso nas redações, talvez alguns empregos e funções devem acabar, mas sobresai-se aquele jornalista que consegue analisar criticamente uma notícia, emitir opinião, cruzar informações de forma inteligente, questionar verdades e mentiras, entre outras atribuições. Pegar dados, analisar matematicamente e colocar em espaços pré-definidos é uma atividade mecanizada, que não exige um ser pensante, naquela ação. Digo naquele ato, pois por trás disso é claro que há pessoas construindo as ferramentas, adaptando-as e moldando conforme as necessidades do sistema - mas claro, não jornalistas.
E francamente, o que vemos hoje nas redações, com algumas boas e ótimas exceções de jornais e jornalistas, são simplesmente máquinas que ou colocam as informações de forma automática, ou fazem algo bem mais simples: baixam um release e mandam para a diagramação. E não é só redações, não… assessorias de imprensa é a mesma coisa. Pega o que o assessorado falou e só preenche os espaços para ter-se um release. Eita nós!
Computadores no lugar de jornalistas?
Comunique-se
A agência de notícias norte-americana Thomson Financial está usando computadores para substituírem jornalistas na redação de alguns textos. O jornal de negócios online utiliza PCs para publicarem uma notícia até 0,3 segundos depois de sua divulgação no mercado.
Segundo o cienciapt.net, a agência introduz na base de dados do computadores os resultados anteriores e recentes de uma empresa e a máquina elabora uma notícia informando se o valor está ou não de acordo com o esperado.
Com a ferramenta será possível acompanhar o crescimento dos investimentos eletrônicos quase em tempo real e também permitir que jornalistas possam trabalhar em matérias mais elaboradas e que ocupam mais tempo.
Fonte:cienciapt.net






E aquelas notícias do tempo: E o frio chegou na serra catarinense os gramados ficaram branquinhos… Até a água congelou. E as roupas do varal… O jeito foi tirar do armário os casacos mais pesados.
A TV pode usar imagens de 5 anos atrás e ninguém se dá conta…
muito bom! recomendado no meu blog.
Ñem precisamos esperar essa nova mania. Já percebeu o quanto portais copiam notícias via sistema clipping. Ou seja, um jornlaista escreve por dezenas, centenas ou até milhares. Basta colocar a fonte e Control C
Caro Rodrigo, os tempos são outros. Estou começando a ler o tal do clássico de Thomas Friedman, “O mundo é plano”, que virou febre e está há um ano na lista do mais vendido do NYT. Ele conta um caso interessante da Reuters, que terceirizou a produção dos relatórios de balanços das companhias para jornalistas indianos, deixando os profissionais de outros países livres para fazerem análise e cruzar informações. Em sua visita ao Brasil, ele ainda fez outra consideração: a informação vai estar disponível, por todas as mídias e todos terão acesso. Complicado será saber filtrar o que realmente importa e justamente fazer o cruzamento desse manancial de dados, tornando algo de valor para o leitor.
Abraços
Quem aproveitou as aulas do professor Nilson Lage não há de se surpreender com essa notícia. A formalização matemática do lead era um dos temas prediletos.