agosto 25 2007
O custo da atração de empresas para SC
A instalação de grandes grupos nacionais e internacionais em Santa Catarina é sempre vista pela população e pela mídia como um aspecto positivo para o nosso Estado. Estas empresas geram novos empregos, impostos para prefeituras e governo estadual, melhoram a infra-estrutura do entorno onde se instalam, entre outros benefícios indiretos. Por esta análise, percebe-se que é essencial que o Estado atraia investimentos deste porte.
Porém é preciso avaliar outra visão: quando este grupo empresarial vem a Santa Catarina, incentivado por governos, para concorrer diretamente com empresas genuinamente catarinenses, que nasceram aqui, enfrentaram todas as dificuldades comuns encontradas no Brasil para manter seu negócio, geraram e muitas vezes formaram sua própria mão-de-obra. Do que adianta incentivar a vinda de um grande grupo, que irá gerar todos estes benefícios acima listados, se o mesmo põe em xeque a continuidade dos demais catarinenses? É um dilema bem recorrente, principalmente no setor que acompanho mais de perto - o de tecnologia.
Sei também que estamos num mundo globalizado, em que no setor tecnológico os concorrentes não estão só na esquina ou no estado vizinho, estão nos EUA, Europa, Ásia, enfim, por qualquer parte, disputando mercados, geralmente, em condições muito melhores do que a brasileira. O que preocupa a mim e empresários do segmento é a vinda incentivada, oferecendo infra-estrutura, renúncia fiscal e todos os benefícios para que se instalem sendo que, em vez de complementar a cadeia produtivo de tecnologia em Santa Catarina, canibalizam o setor disputando não só mercado em condições vantajosas, mas também mão-de-obra qualificada.
Enfim, já fiz esta reflexão no caso da indústria laser, que ganhará em breve um concorrente italiano em Santa Catarina, e agora o Conselho de Entidades de Tecnologia do Estado, o CETIC-SC, estuda e irá propor a criação de uma política de atração de empreendimentos de base tecnológica para o Estado, que não pretende impedir a vinda de grandes grupos, mas sim orientar o Estado no que é melhor para Santa Catarina e para a indústria local já instalada. Uma iniciativa interessante que tem como preocupação o desenvolvimento desta vocação tecnológica do nosso Estado.






Neste domingo saiu uma nota na coluna da jornalista Estela Benetti atentando para o caso da vinda do grupo italiano. Hoje, segunda, a Secretaria da Fazenda deu um retorno afirmando que os incentivos não valem para indústrias que irão concorrer diretamente com as empresas locais. Esta avaliação é feita no momento da concessão, em reuniões que representantes da indústria se fazem presente.
Pelo menos isso.
Boa tarde, Lóssio,
O assunto é de extrema relevância, e deve ser pauta de análise profunda e séria das entidades representativas, governo e universidade. Não vou entrar no mérito da concorrência, até por que, muitas vezes essas empresas se instalam atraídas principalmente pela mão de obra mais barata, levando sua produção toda para o exterior para atender grandes players.
O que eu vejo como mais sério é a drenagem dos talentos criados dentro das empresas locais, em sua maioria micros e pequenas. A perda de um talento para uma empresa pequena pode comprometer seriamente sua competitividade.
Obviamente não podemos barrar a entrada das multinacionais, porém, o poder público, os sindicatos e as entidades devem procurar criar mecanismos que comprometam as grandes empresas a investir em capacitação, e também se tornem “produtoras de talentos”.
E promover a aproximação dessas empresas com as empresas locais, no sentido de promover parcerias, e terceirização / quarteirização pode ser uma solução elegante e positiva para todos os lados enquanto a escassez de mão de obra não é solucionada de forma mais eficaz.
um abraço
Michael